Foto de Marco Antônio Correia
Texto de Jéssica Carvalho
Um dos mais significativos bens culturais do Brasil, o Carnaval foi o tema do minicurso “Festa e sociedade: o caso das grandes festas públicas brasileiras”. Coordenado pelos professores Fred Góes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Miguez, também vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e pela doutoranda Caroline Fantinel, a discussão aconteceu na manhã desta quarta-feira, 16, segundo dia de programação do XII Enecult - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura.
Carnaval como patrimônio cultural, bem público e negócio foram as perspectivas adotadas na análise da festa, destacadas durante a fala de Miguez. Segundo o professor, o Brasil é um país de muitos, e não apenas um carnaval, daí a importância de se discutir a temática. "Como um bem cultural desta dimensão, o carnaval merece lugar de destaque dentro da universidade. Não só pela história que tem e por sua presença significativa na cultura brasileira, mas pelas transformações às quais tem passado e que exigem um olhar multidisciplinar: da gestão, das ciências sociais e da comunicação, por exemplo".
O professor e letrista Fred Góes, que trouxe a perspectiva da música para o debate, ressaltou a importância de abordar as formas culturais. "Debater a cultura no âmbito da universidade é algo fundamental. Cada vez mais a área de ciências humanas tem uma visão multidisciplinar, importante para que tenhamos a possibilidade de desenvolver uma visão plural das coisas que nos cercam. E é isso o que queremos provocar aqui", afirmou.
Cerca de 50 pessoas compareceram ao minicurso, realizado no auditório do PAF I da UFBA.
Memórias do Carnaval
No encontro, o projeto "Memórias do reinado de Momo: cordões, batucadas e escolas de samba no carnaval de Salvador" foi apresentado por Caroline Fantinel, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da UFBA. Idealizado por Miguez, o projeto foi desenvolvido em 2014 e é resultado de uma análise da participação de setores populares nos festejos de Salvador. "A memória oficial, quando é construída, negligencia muitas outras. Essas memórias periféricas dizem respeito às populações indígena e negra, por isso a necessidade desse resgate", explicou Fantinel.
A programação do XII Enecult segue nos dias 17 e 18, com a realização de discussões em diversas áreas do conhecimento. Sessões temáticas de estudos sobre cultura, simpósios e relatos de experiências serão alguns dos formatos apresentados durante os dois dias.
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