Enecult faz carta em defesa da cultura

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Texto: Catarina Reimão / Agenda Arte e Cultura Ufba (matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde, dia 18/08/2015)

Crédito da foto: Brisa Andrade

Depois de quatro dias de discussões e apresentações, a Plenária do XI Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult) propôs resoluções para o setor cultural em forma de carta que será entregue às autoridades competentes do governo federal.

O encerramento do evento aconteceu na última sexta-feira, no Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia. O documento final, intitulado Crise e Cultura, é um manifesto que reconhece a crise no País e percebe uma oportunidade para tornar a sociedade mais justa. A carta, redigida por Renata Rocha, vice-coordenadora do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da Ufba (Cult), e pelo professor doutor Albino Rubim, ex-secretário de Cultura do estado, apresenta a cultura como fator essencial para a repensar o Brasil.

No documento, o grupo afirma que a crise política e econômica, vivenciada no mundo e no País, não pode ser enfrentada em moldes conservadores, com modalidades tradicionais de ajuste fiscal, diminuição dos recursos para a cultura e restrições à democracia, e que a crise deve ser aproveitada para reafirmar conquistas e abrir novos caminhos para a sociedade. Também é dito que a democracia deve ser aprofundada por meio da qualificação da democracia representativa e da ampliação da democracia participativa.

No âmbito cultural, os integrantes declararam imprescindível alcançar as metas do Plano Nacional de Cultura. Além da implantação efetiva do Sistema Nacional de Cultura, da garantia de mais recursos para a cultura e da expansão do Programa Cultura Viva.

Outros pontos relacionados à cultura que foram incluídos no documento propõem discutir as políticas de financiamento, priorizar o Fundo Nacional de Cultura, rever e democratizar as leis de incentivo. Também foi sugerido instalar uma política para as artes e fortalecer a transversalidade da cultura, em especial as conexões com a educação e a comunicação.

Para Rubim, o resultado mais surpreendente dos simpósios que integraram o Enecult, foi a carta produzida durante os encontros do grupo de Acessibilidade Cultural. Isso porque, ao fim do simpósio, a professora Ana Rita Ferraz (Uefs) coordenou a redação de um documento independente, no qual foram feitas considerações específicas do seu eixo temático.

“Reconhecemos que a universidade fez um grande esforço para atender às nossas solicitações de tornar os espaços do evento mais acessíveis e reconhecemos que existe de fato um problema orçamentário que não permite grandes intervenções. Consideramos um grande passo o que aconteceu aqui no Enecult, mas queremos mais. Temos que querer sempre mais. Até que a cultura possa chegar a todos”, declarou Ferraz.