Cultura e erotismo em obras literárias foram temas discutidos na sala de Cultura e Artes do segundo dia do IX ENECULT, no PAF III - UFBA. Cinco trabalhos foram exibidos abordando análises de livros que variaram entre “Toda nudez será castigada” de Nelson Rodrigues até Harry Potter e o mangá Ero-guro, de Maruo.
O debate se iniciou com o trabalho de Lívia Drummond que apresentou uma análise da violência de conotação erótica na obra de Nelson Rodrigues e sua relação com a dialética de Bataille, ambos marcados pela transgressão em obras recheadas de morbidez, obsessões e tensão sexual.
Em seguida houve uma abordagem da dramaturgia paulistana de Plínio Marques feita por Gessé Araújo, as obras analisadas foram Barrela e Navalha na carne que possuem uma perspectiva voltada para os personagens do submundo, os subalternos e marginalizados. Ele propõe a esses personagens três aspectos comuns ocasionados pelo espaço de miséria e exploração: violência, suplício e transcendência.
O terceiro trabalho foi um aprofundamento de dois livros considerados literatura pop, “Submarino” e “Mastigando Humanos”, elaborado por Gabriela Lopes. A partir de uma investigação comportamental do adolescente inserido na cultura urbana massificada e questões como o individualismo e cultura do consumo, ela conceitua a construção do imaginário adolescente acerca do heroi da cultura pop.
Logo depois, Roberto Campos mostrou seu estudo sobre a série Harry Potter. Ele comenta a diversidade da herança crítica da obra de J.K. Rowling e propõe uma reflexão sobre a fronteira entre o pop e o erudito, relacionando com o ideal de cultura conceituado por Adorno. Ele abordou a literatura de entretenimento inserida em um ambiente de ideal mercadológico e sugere a promoção de uma nova concepção sobre a literatura e a valorização desse modelo de leitura que visa ao prazer.
Por fim, Krystal e Vínicius lançaram discussão sobre o gênero Ero-guro (erotismo grotesco) na arte de Suehiro Maruo como uma outra representação do Japão, diferente dos estereótipos que recebemos comumente (gueixas e samurais). A obra de Maruo se define como a representação inquietante do Japão pós-segunda guerra através da decomposição grotesca do corpo humano atrelada às perversões sexuais, que remete ainda ao Surrealismo de Salvador Dalí e ao expressionismo alemão.
Sala: 103
Data: 12/09
Horário: 16h30
Participantes: Krystal Cortez, Vinívius Azevedo, Lívia Drummond, Gessé Almeida Araújo, Gabriela Lopes Vasconcellos de Andrade e Roberto Rodrigues Campos

