A partir da pergunta sobre como serão as políticas culturais no brasil em 10 anos, gestores públicos da cultura debateram, hoje, 29.08, na reitoria da UFBA. A mesa Política Cultural + 10 – Trajetórias, Desafios e Perspectivas, atividade do último dia do X Enceult, teve como participantes o secretário de cultura da Bahia, Albino Rubim; o secretário municipal de cultura de São Paulo, Juca Ferreira e; o Secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura do Brasil, Bernardo Mata Machado. A mediação ficou por conta da Professora Eloisa Delagnello da UFSC.
Todos foram enfáticos em analisar os avanços da política cultural brasileira, principalmente no governo Lula com as gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Porém, se perguntaram quais os desafios para dar continuidade a esses passos. Para Juca Ferreira, demos passos na consciência do direito cultural, no acesso aos recursos públicos vide pontos de cultura e editais cirados, mas ainda temos pontos bastante fragilizados. “O Brasil ainda tem vergonha dos seus indígenas e tem dificuldade de internalizar a cultura africana. A africanidade é parte da constituição do que somos como país, mas isso ainda é secundarizado”, lembrou Juca que acredita que o Brasil ainda tem uma grande força conservadora atuando nesse sentido.
Albino Rubim ressaltou que temos pouco tempo de políticas de cultura nacionais realmente em desenvolvimento e que isso deve ser levado em conta. “Considero o marco inaugural das políticas de cultura o inicio do governo Lula, já que antes ou tínhamos turbulências na formação e desestruturação do ministério ou um período no qual a política era praticamente regida pelo mercado”, avaliou o Secretário baiano.
O ponto forte do debate se deu na divergência acerca da política durante o governo Dilma. Para Bernardo Mata Machado, não houve descontinuidade nas políticas e o que se fortaleceu foi a institucionalização da política na intenção de torna-la ação de Estado. “Avançamos bastante em legislação e isso é importante para a não deterioração de todo trabalho que realizamos até aqui”, acredita Bernardo. Albino e Juca discordam, para eles houve rupturas importantes nas gestões das ministras Ana de Hollanda e Marta Suplicy. “Temos que fazer essa crítica entre nós. Não podemos tapar o sol com a peneira. Houveram retrocessos como a descontinuidade do Cultura Viva, do Capoeira Viva, importantes propostas para a garantia do direito a cultura no Brasil”, indagou Juca.

