A sessão Culturas, Gêneros e Sexualidades I, que ocorreu na tarde de quarta-feira (27.08) no PAF V, reuniu pesquisadores com diferentes trabalhos ligados a esta temática. Leandro Stoffels apresentou o artigo Universo Trans, Identidades e Representação: o papel do jornalismo na divulgação de identidades não-hegemônicas, onde se valeu de teorias da comunicação para analisar dez notícias recentes, que se referiam em sua grande maioria a crimes e cirurgias com travestis e transexuais. Leandro, entre outras observações, levantou a dificuldade dos jornalistas em lidar e definir categorias identitárias neste universo e ressaltou a diferença entre notícias cujas fontes são pessoas do universo trans ou policiais, por exemplo. Ele destaca a necessidade do jornalismo brasileiro buscar outras formas de conhecimento, para poder inclusive atuar como aliado no combate à transfobia.
Samuel Macedo, que também coordenou a mesa, com a pesquisa Travestis e o Cinema Queer de Juazeiro do Norte: a transgressão do feminino no filme Também sou teu povo, examinou documentários realizados nos 102 anos de emancipação política da cidade do Padre Cícero. Sua pesquisa passou por três importantes fases: a primeira do cinema no Cariri e no Ceará, a segunda fase na década de 50, quando receberam a Caravana Farkas que realizou dois filmes na cidade, e a terceira da retomada do cinema cearense com Rosemberg Cariry e jovens cineastas. Neste mergulho, Samuel encontra entre filmes de mulheres artesãs o documentário sobre três travestis que com um discurso religioso e o binarismo de gênero participam ativamente das missas e dos espaços sagrados da cidade. De dia indo para as romarias e pela noite se divertindo com os romeiros. Duas coisas faziam sucesso nas romarias: primeiro o Padre Cícero, segundo as beatas travestis.
Cristina Fernandes apresentou o ensaio É a diáspora, Hall? onde trabalhou com a intercessão de três textos distintos Esquizonalista, de Deleuze, Choques Culturais de Roberto Toledo e a Ópera Lulu, de Alban Berg, que serve de estrutura para a construção de seu texto. Cristina traz a discussão do uso e abuso do corpo da mulher, conectando esses autores citados e o caso real de um escândalo que envolveu um diplomata iraniano e duas meninas que estavam com os pais em uma piscina de hotel em Brasília, há alguns anos atrás. A imprensa, e entre elas a revista Veja, divulgou na época o fato com diferentes olhares, trazendo ainda como justificativa a diferença cultural. A pesquisadora trouxe ainda para este ensaio Stuart Hall, a quem questiona no título.
Luiz Carlos Souza pesquisa cinema e a construção da mulher no século XX. Especialmente neste artigo que apresentou, seu foco é a mulher no filme O Exorcista, lançando há mais de 40 anos e ainda uma referencia no cinema de terror, e a construção da mulher através da personagem central e de sua mãe na ficção. Segundo Luiz Carlos, neste filme, o primeiro depois de mais três em decorrência do sucesso de público, o olhar da sociedade na cultura ocidental cristã se depara com uma menina possuída, que ao mesmo tempo atravessa as transformações do corpo em desenvolvimento: a passagem da infância para fase adulta, nascimento dos seios, menstruação, masturbação, etc.
Sala: 101 (PAF V)
Data: 27/08/2014
Horário: 14h
Participantes: Leandro Stoffels, Samuel Macedo, Cristina Fernandes e Luiz Carlos Souza

