Indicadores e produção de dados em economia da cultura são abordados em relato de experiência

Foto: Daniel Figliuolo

Texto: Bruna Calasans

O relato de experiência “Indicadores e produção de dados em economia da cultura” aconteceu na tarde de ontem (14), no auditório do PAF III - campus Ondina.  A mesa foi composta por Renata Rocha (UFBA), responsável pela coordenação, e pelas expositoras Cristina Lins (REDEPCULT) e Daniele Canedo (UFRB). A discussão central partiu da ausência de indicadores e dados consolidados, além da necessidade da construção de uma base de dados referentes ao campo da cultura.

A economista Cristina Lins discorreu sobre os desafios para trabalhar com indicadores, a partir das suas experiências nos 11 anos de coordenação do Sistema de Informações e Indicadores Culturais do IBGE. Ela destacou que só a partir de 2000 a cultura voltou a ser pensada num sentido mais amplo e abrangente no Brasil, com destaque para o diálogo iniciado em 2003 entre a Secretaria de Políticas Culturais – SPC/MinC, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e em 2004 com o projeto conjunto (IBGE/MinC) de sistematização das informações culturais.

Cristina enfatizou a importância dos dados e informações para a institucionalização do campo da política cultural, apresentou estatísticas existentes nas bases de dados do IBGE e os desafios para a realização da pesquisa. Finalizou sua fala ressaltando o papel fundamental dos indicadores na dimensão econômica da cultura e a importância de fomentar e atualizar as bases: “o uso desses indicadores tem uma função descritiva, valorativa e de reconhecimento que ajuda a criar um diagnóstico”.

Daniele Canedo, gestora Cultural e professora da UFRB, partiu de uma perspectiva da produção de indicadores culturais no âmbito da produção acadêmica, com um viés da pesquisa mais voltado para o potencial de gerar novos dados. Mencionou a utilização do método de análise de redes sociais na sua pesquisa, o qual possibilitou uma visualização melhor sobre os atores envolvidos na indústria cinematográfica dos países do Mercosul. A professora acrescentou ainda suas experiências em um trabalho recente de mapeamento das dinâmicas de interações de atores e redes culturais e criativas de Salvador, em 2014.

“Eu acho super importante que a gente desenvolva ainda mais. Tem determinados tipos de pesquisas de indicadores que não vamos conseguir fazer na academia, mas temos que fazer o que dá”, reiterou Daniele no seu discurso em favor da aplicação de mais dados quantitativos nas pesquisas.

Renata Rocha reforçou ao final dos relatos o problema dos resultados normativos nas pesquisas e a necessidade de discutir essas questões, que segundo ela são cruciais para o campo cultural.

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