Foto: Marco Queiroz
Texto: Bruna Cook
Na manhã de hoje (15) foi dada continuação ao Simpósio de Políticas Culturais, que tinha por objetivo discutir os dilemas da institucionalidade cultural. Lia Calabre (FCRB), que tem formação em História, retomou os tópicos apresentados ontem, no auditório do PAF III, reiterando que os espaços de debate devem tanto ser preservados quanto ampliados e que é notória a mudança do perfil do Estado enquanto mediador de conflitos e defensor dos direitos para, em vez disso, funcionar como um "aliado estratégico do grande capital".
Ela apontou para a forte tradição autoritária e centralizadora do Estado e como o fato da existência de legisladores, por vezes, não significa muito - já que no Brasil as leis podem "pegar" ou não. Sob essa ótica, acompanhar diariamente a luta por direitos e manter o diálogo aberto tem fundamental importância na conjuntura atual.
Dentro desse cenário, Calabre elencou exemplos positivos da assimilação e do redesenho feito em âmbito municipal dos sistemas propostos por governos: primeiro, em Nova Friburgo (RJ), cuja pré-conferência se reuniu com nichos (associações de moradores, grupos de juventude, empresários e fazedores de cultura) para alinhar as formas de pensar visando a elaboração do melhor plano para responder às suas demandas; o caso da Conferência Municipal do Rio de Janeiro, em que os grupos presentes desconstruíram o regimento e, por tabela, o formato do evento - resultando, por exemplo, na redução de palestras e no aumento de debates; e a liderança do município de Niterói (RJ) frente às cidades menores, que não estavam familiarizados com o Sistema Nacional de Cultura (SNC) e foram por ele auxiliados e mobilizados.
Rosimeri Carvalho da Silva (UFRGS), também da área de estudos organizacionais, abriu sua fala comentando as contradições do governo sulista, berço de um conservadorismo e ao mesmo tempo propositor de Conferências e orçamentos participativos. A professora citou que a institucionalização é sinal de permanência - e que inegavelmente hoje o estado, no campo da cultura, é o principal agente. Como a burocracia que lhe é natural não é nada flexível e está à serviço de quem domina, se faz urgente uma sociedade civil organizada e ativa. Não à toa, segundo a expositora, o Estado coloca a cultura em lugar de pouco destaque. "Esse governo teme a cultura porque somos perigosos. Precisamos continuar como resistência".
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