Minicurso discute potencialidades dos mapeamentos no campo cultural

Foto de Marco Queiroz

Texto de Fernanda Andrade

Na manhã desta quarta-feira, 13 de setembro, José Márcio Barros (PUC-MG/UEMG) e Ana Paula do Val (Observatório da Diversidade Cultural) ministraram o minicurso Mapeamento da Diversidade Cultural durante a programação do XIII Enecult. O minicurso foi realizado nas instalações do PAF III, no campus da Universidade Federal da Bahia, em Ondina e reuniu pesquisadores de várias regiões do Brasil e do exterior. Segundo José Márcio Barros, um dos principais objetivos do encontro foi discutir, dentre outros, "por que o mapeamento é uma prática importante para as políticas culturais" E para Ana Paula do Val a ideia foi também tensionar "em que esses mapas estão contribuindo nas realidades para além de identificar e diagnosticar".

Durante o encontro, os participantes foram provocados a refletir sobre concepções dos conceitos de "cultura", "diversidade" e "interculturalidade" e possíveis implicações no planejamento dos mapeamentos. Os ministrantes destacaram que mapeamentos em outras áreas de conhecimento, como administração, usualmente servem para que efetivamente "se possa agir na realidade". Para eles, "informação é sinônimo de poder"  e sendo assim "um mapeamento é um instrumento político/ideológico de atuação" que implica responsabilidades sobre as informações divulgadas.

Para Ana Paula do Val, a grande questão que se apresenta inclui debatermos possibilidades de pensar "como avançar, como criar aderência com os mapeados e como envolver os sujeito mapeados no processo". Se, por um lado, desenvolver mapeamentos pode potencializar o levantamento de dados sobre realidades do campo cultural, por outro, como alerta José Márcio barros, pode também "mascarar a realidade". Para o palestrante a receita de um mapeamento no campo cultural deve almejar "identificar + diagnosticar + agir no mundo". Levando sempre em consideração "as dimensões cognitiva e afetiva das informações" para se desvencilhar das armadilhas que os estereótipos podem provocar.

Na segunda parte do minicurso, os ministrantes exploraram o tema da cultura abordada pelo viés da dimensão antropológica e o quanto sua adesão nas práticas e políticas culturais pode ser amplificadora de possibilidades. Destacaram que desta perspectiva todas as manifestações humanas são passíveis de serem consideradas "cultura". E isso implica a necessidade de as sociedades discutirem questões de preconceito étnico, racial, sociocultural, dentre outros, como manifestações culturais. Segundo José Marcio Barros e Ana Paula do Val não existem "soluções prontas" mesmo porque uma das características da cultura é ser dinâmica. E essa 'flexibilidade' da cultura que por si só existe em constante transformação "impossibilita que existam modelos infalíveis de mapeamentos culturais".

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