Minicurso em formato de vivência discute agroecologia como manutenção da cultura rural

por Luana Gama

Com o objetivo de debater a relação entre pessoas e o espaço rural, e como as práticas culturais e comunicacionais com participação do povo contribuem para o desenvolvimento de um modelo de produção agrícola sustentável e a manutenção dos saberes locais, foi realizado nesta quarta-feira (08) o minicurso “Comunicação e cultura na construção de conhecimentos agroecológicos” no Teatro Experimental da Escola de Dança, no campus da UFBA em Ondina, sob coordenação de Patrícia Tavares, docente do Instituto Federal de Brasília (IFB). O minicurso contou com a participação das convidadas Joana Duboc, Engenheira Agrônoma com ênfase em desenvolvimento sustentável (UFRRJ) e a professora de literatura Domênica Rodrigues (Sul/FAMASUL). Todas são integrantes do Grupo de Trabalho “Comunicação e Cultura” da ABA (Associação Brasileira de Agroecologia). O evento faz parte do cronograma de atividades do primeiro dia do XIV ENECULT.  

A ideia inicial do minicurso foi trazer uma palestra em formato diferente das convencionais. Com todos sentados em uma roda e pés descalços, as convidadas e participantes compartilharam e refletiram sobre suas histórias de vida e suas práticas acadêmicas, que em sua maioria possui ligações com o meio rural, sustentabilidade e a comunicação social. “A gente proporciona momentos de cura, troca, de auto reflexão e o outro partilha esse conhecimento a partir do seu olhar, desse entendimento do que somos - isso tem muito mais força do que horas de palestras. O conhecimento não é unilateral, ele precisa ser compartilhado”, declara Joana.

Durante o minicurso, as palestrantes expuseram os vários eventos em que a ABA realiza pelo país e os projetos em que a associação atua junto a comunidade. O intuito do Grupo de Trabalho (GT) em que estão inseridas é trabalhar a comunicação dentro das comunidades, dando voz às crenças e costumes do meio rural que são esquecidos por conta do avanço do agronegócio. O conceito de agroecologia trazido no minicurso aborda a pluralidade de saberes, e como a comunicação dentro da construção do conhecimento agroecológico auxilia nos processos de manutenção das crenças culturais no meio rural. Patrícia conta que falta incentivo para que mais pesquisadores possam abordar o tema, poucas são as bolsas disponibilizadas para a área da Cultura dentro do campo. Apesar da falta de apoio, elas têm paixão pelo que fazem e argumentam que é preciso um maior envolvimento entre o pesquisador e a comunidade ou objeto de estudo. “O pesquisador não precisa estar longe do seu objeto de estudo, ele precisa se envolver para garantir que essa pesquisa tenha alma, tenha força. Temos que ter paixão pelo que estamos fazendo”, declara Domênica Rodrigues.

A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) foi criada em 2004 durante o II Congresso Brasileiro de Agroecologia, reunindo estudantes e profissionais das mais variadas áreas do conhecimento com o intuito em promover a produção científica no campo do desenvolvimento socioambiental, despertando o interesse na sociedade em adotar práticas agroecológicas, bem como preservar os costumes locais do meio rural. A ABA promove diversos eventos no país a fim de divulgar os resultados das pesquisas realizadas, incentivando assim a execução de um modelo de desenvolvimento rural sustentável, em harmonia com a cultura local.

Foto: Dan Figliuolo