Foto de Marco Antônio Correia
Texto de Rebeca Almeida
Aconteceu nesta quarta-feira, 16, o minicurso Economia Solidária da Cultura, coordenado pelos professores Luana Vilutis (UFBA) e Genauto França Filho (UFBA). O evento foi realizado no PAF V, do Campus Ondina da UFBA, promovido pelo XII Enecult – Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura.
No encontro, o público presente conheceu a história da Associação Sócio-cultural de Matarandiba (ASCOMAT), apontada como um exemplo bem-sucedido de Empreendimento de Economia Solidária (EES) voltado para a gestão de cultura na Bahia. A bióloga, mestranda em ecologia pela UFBA e filha de associados, Nelma dos Santos Freitas, e o professor de Administração da UFAL, Leandro Prates Leal, foram os convidados do minicurso.
Durante o evento, os coordenares destacaram conceitos de Economia Solidária. Genauto França apresentou uma introdução à Economia Solidária, ressaltando a importância de se pensar a produção cultural enquanto “bem comum”. “Costumamos pensar a economia dentro de um paradigma, do ponto de vista de mercado. Como pensar a produção cultural para além dessa visão de mercado, para além desses mecanismos?”, questionou.
Uma possibilidade estaria na Economia Solidária, que como ressaltou Luana Vilutis, se difere da Economia Criativa por pensar a economia numa perspectiva mais ampliada. Para ela, esta visão mais ampliada está além da simples busca pela Inovação, foco da Economia Criativa. “O que define a economia solidária é a gestão. Busca-se uma gestão democrática e inclusiva”, afirmou.
Experiência em Matarandiba
Para Leonardo Prates, a Economia Solidária também pode ser compreendida dentro do campo da pluralidade. “É este campo que permite ver a economia de forma mais democrática, desfazer equívocos presentes nas economias de mercado”, disse.
Baseado no livro de Elionor Ostrom O governo dos bens comuns: a evolução das instituições de ação coletiva, o professor ressaltou que apesar de vivermos no sistema econômico capitalista, uma grande parte da população vive em uma economia alternativa, por não estar inserida de maneira formal no sistema hegemônico. Dentro desses princípios se insere a ASCOMAT, uma iniciativa da comunidade de Matarandiba, vila localizada no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Entre as práticas, Matarandiba, por exemplo, possui uma moeda social chamada Concha, que é uma forma de concentração de renda dentro da própria comunidade. Uma Concha equivale a um real.
De acordo com Nelma dos Santos, a ASCOMAT surgiu a partir de uma necessidade da própria comunidade, que percebeu que precisaria se organizar e resgatar sua cultura e identidade. Segundo ela, a primeira coisa a ser resgatada foi o “Terno das Flores”, festa popular local que não acontecia há mais de três décadas. Outro costume resgatado foi o samba de roda, com grupos adultos e infantis. Já neste ano, a associação tornou-se um ponto de cultura chamado Voa voa.
“No começo, para o resgate do Terno das Flores, foi levantado recurso próprio da comunidade, fizeram bingos, festas, tudo para arrecadar dinheiro. Na época, conseguimos em torno de R$ 4 mil, que para nós era muito dinheiro. Atualmente, participamos de editais, mas levantamos fundos também com a participação da própria comunidade e com os associados”, contou Nelma.
O minicurso foi um dos cinco realizados na manhã desta quarta-feira, dia 16, na UFBA (Campus Ondina). A programação do XII Enecult segue até esta sexta-feira, 18.
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