Minicurso sobre acessibilidade cultural abriu as atividades desta quarta, 16

XII ENECULT

Fotos de Marco Antônio Correia

Texto de Maryanna Nascimento

Coordenado por Chicco Assis e Ana Rita Ferraz, o minicurso Acessibilidade cultural para além do concreto: desafios e alternativas para a cena abriu as atividades desta quarta-feira, 16, no XII Enecult – Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. O evento foi realizado durante a manhã no auditório da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e teve como convidadas a artista e produtora paulistana Estela Lapponi e Sandra Rosa, coordenadora do Núcleo de Educação Especial – NEDE/UNEB. Na ocasião, foi discutida a relação entre acessibilidade e o espaço em cena.

O minicurso é um desdobramento do Simpósio Acessibilidade Cultural – Políticas Culturais e Formação Acadêmica que aconteceu no Enecult 2015. Para Chicco Assis, o evento buscou discutir a acessibilidade a partir da cena. “Quais são os desafios e possíveis soluções para que a cena se torne um espaço mais acessível? Estamos falando de acessibilidade cultural além do concreto, além da barreira arquitetônica”, comentou.

De forma provocativa, Estela Lapponi iniciou a sua fala recitando um Manifesto Anti-Inclusão, de autoria própria. Para ela, “a questão da inclusão é mercadológica e poucas pessoas estão realmente dispostas a fazer algo que mude”. Estela ressalta que, mesmo tendo deficiência, a inclusão não define a sua arte e completa a ideia de Chicco sobre ir além do concreto. “A gente precisa pensar de fato sobre a necessidade de ir e vir. Eu, enquanto produtora artística, preciso pensar em como essa obra de arte está acessível”.

Desafios que vão desde a divulgação de eventos de forma acessível até a formação profissional de pessoas com deficiência foram expostos por Sandra Rosa. “A arte deve ser pensada para todos, inclusive para pessoas com deficiência. No fim das contas, a deficiência não é deles, é da sociedade”, enfatizou.

Participantes de diversos estados brasileiros assistiram a discussão e trocaram experiências. Para Giana Souza, 29, que estuda Produção Cênica na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o ambiente acadêmico apresenta barreiras sobre a discussão da acessibilidade. “Desde que eu entrei na universidade, venho tentando discutir sobre o tema, mas em Produção a gente não fala disso”.

Luiz Mendes, 48, que vive em Joinville (Santa Catarina) confessou que só passou a se interessar pelo tema quando a sua filha ficou cega. “Antes disso, eu não enxergava esse movimento a minha volta. Só fui procurar me aprofundar quando tive ao meu lado alguém com deficiência”.

Ao final do minicurso, Chicco convidou Edu Oliveira, professor da Escola de Dança da UFBA e Ninfa Cunha, coordenadora do Espaço Xisto, para relatarem as suas experiências. Ambos são cadeirantes e reiteraram os seus papéis de provocadores na sociedade. “Eu não faço arte para mostrar superação, mas para pensar junto sobre determinados temas”, concluiu Edu. Ninfa encerrou o evento com uma indagação. “No ano passado, uma das coisas que discutimos no Enecult era que a acessibilidade entrasse em outras discussões que não são diretamente relacionadas ao tema, como o audiovisual. Será que o Encontro avançou nisso?”.