Participantes de simpósios se manifestam contra censura à exposição Queer Museu

Durante a realização do XIII Enecult, a exposição "Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira", encerrada pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, antes da data prevista por conta das pressões de grupos conservadores, foi tema de discussão nos quatro simpósios que integraram a programação do evento. O debate teve como resultado o seguinte texto de manifestação:

Pesquisadores da cultura de todo Brasil, presentes no XIII Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, nos manifestamos publicamente e junto ao Santander Cultural, Porto Alegre, contra a inaceitável censura da exposição "Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira". Ela fere profusamente a liberdade de criação artística, a liberdade de manifestação  cultural e as liberdades públicas asseguradas em nossa Constituição Federal; arranham a imagem pública da instituição; agridem a convivência e a vida democrática e se tornam mais um perigoso passo da implantação do autoritarismo no país. Salvador, 15 de setembro de 2017.

Além da manifestação contrária à censura, integrantes do simpósio Políticas culturais: dilemas da institucionalidade cultural elaboraram um conjunto de proposições ao final da atividade:

  1. Aprovar manifestação pública contra a censura à exposição Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira com os seguintes acréscimos à moção lida: incluir a solicitação da reabertura da exposição e referências a outras tentativas de censura acontecidas no Mato Grosso do Sul e Brasília, bem como as corajosas palavras do dirigente do museu de Brasília reagindo à censura.

  1. Recomendar às comunidades culturais que se articulem com as manifestações que estão sendo programadas pelas secretários e dirigentes de cultura dos estados e das capitais em defesa da cultura no dia 05 de novembro de 2017.

  1. Intervir na construção do Fórum Social Mundial, que vai acontecer em março de 2018, em Salvador, buscando ampliar as atividades e o espaço da cultura no FSM.

  1. Encaminhar ao Governador da Bahia e ao Secretário de Cultura reivindicação no sentido de manutenção dos Representantes Territoriais de Cultura, figuras chaves do processo de territorialização da cultura que vem sendo desenvolvido na Bahia, desde 2007, e que possui hoje reconhecido nacional.

  1. Enviar aos dirigentes das universidades públicas – federais, estaduais e municipais – recomendação de que elas desenvolvam políticas e planos de cultura próprios, construídos de modo democrático e colaborativo, visando potencializar, externa e internamente, a atuação cultural das universidades públicas. 
  1. Propor que o CULT, com o aval já dado pelo vice-reitor da UFBA e pelos professores participantes do simpósio, realize, em conjunto com a UFBA e outras universidades públicas localizadas na Bahia, dois encontros destinado a discutir políticas e planos de cultura para tais universidades. O primeiro encontro, reunindo a comunidade cultural da UFBA, para desenvolver políticas culturais para a instituição e o segundo, convidando todas as universidades públicas – federais e estaduais – localizadas na Bahia, para constituir uma rede interinstitucional para realizar ações colaborativas de ensino, pesquisa e extensão no campo cultural.