Patrimônio imaterial e seus desbodramentos na cultura é tema de Simpósio

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Foto de Carolina Pereira

No dia 12 de agosto teve lugar a primeira sessão do Simpósio Patrimônio Cultural Imaterial – dilemas atuais da salvaguarda do patrimônio cultural imaterial no Brasil, dentro da programação do XI Enecult. Sob a coordenação de Márcia Sant’Anna (Arquitetura/UFBA), a mesa contou com as exposições de Jurema Machado, presidente do IPHAN, e Hermano Fabrício Guanaes, representando o IPAC na ausência do João Carlos Oliveira.

Jurema Machado iniciou a mesa fazendo uma espécie de panorama das ações do IPHAN, bem como suas diretrizes e objetivos. O passeio histórico foi importante para situar algumas ações que tiveram e anda têm desdobramentos sobre muitos dos considerados patrimônios culturais imateriais. Segundo Jurema, o trabalho com o patrimônio imaterial permitiu que o IPHAN pudesse dialogar com as políticas culturais do Brasil, bem como com os seus agentes. Ela afirma que um dos desafios do instituto é ter maior vocação para avaliar os impactos das ações do IPHAN sobre o patrimônio, além de trabalhar mais os inventários não somente pelo registro, mas como instrumento de proteção e salvaguarda.

A presidente do IPHAN concluiu sua fala afirmando que o que mais se espera agora da instituição é lidar de forma mais transversal com as diferentes linguagens culturais que formam esse patrimônio imaterial. Para ela, é necessário estabelecer uma relação próxima com entidades sanitárias, por exemplo, falar de circulação de mercadorias dos bens imateriais, produtos e práticas que deles resultam, bem como tratar da formação e capacitação profissional comuns a esses bens registrados.

Hermano Fabrício Guanaes, representando o IPAC, também fez um relato das principais ações do órgão e dos profissionais e pesquisadores envolvidos em todo o processo que envolve as políticas do IPAC dentro do contexto brasileiro. Segundo Hermano, o principal desafio é fazer com que o IPAC trabalhe sempre em parceria com outras instâncias do poder público, bem como instituições e autarquias que colaborem para o sucesso das ações do IPAC.

Entre os debatedores da mesa estava Mônia Silvestrin, também do IPHAN, que trouxe à mesa a importante discussão sobre como é possível levar ao cotidiano dos produtores desses bens imateriais a articulação de políticas, gestão e operacionalização dos seus produtos. Para ela, o caminho é uma proposta de gestão compartilhada, onde poder público e sociedade civil dialoguem para monitorar, avaliar e planejar as ações.

Debate – a rodada de debates contou com intensa participação. Um dos questionamentos à mesa foi no sentido de entender como é exatamente que o IPHAN e IPAC consideram que deve ser feita a salvaguarda dos bens culturais imateriais. É só espetáculo? E a manutenção do cotidiano destas tradições? Além disso, como identificar quem são os detentores do saber que gera os bens imateriais, com lidar com eles? Outros questionamentos foram no sentido de entender a atuação do IPHAN como muito generalista, além de apontar que existem bens que não estão na lista e merecem igualmente atenção do poder público.

A discussão continua amanhã, 14/08, da 9h às 13h no mesmo auditório do PAF V.

Texto de Ana Camila.