Texto: Mariana Goes
Foto: Marco Queiroz
A manhã dessa quinta feira (14) foi regada a muitos brilhos, espartilhos, subjetividade e performances artísticas. Dançarinos, atores, diretores, djs e pesquisadores de todo o Brasil se reuniram no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA para conferir de perto o primeiro dia do Simpósio de Artes, Sexualidades e Gêneros, comandado pelo professor Leandro Colling e pelo mestrando no programa de pós-graduação em Cultura e Sociedade, Marcelo de Troi. O espaço, integrante da programação do XIII Enecult, teve como convidados os performers Eberth Vinicius, Mônica Santana, Maria Tuti Luisão, Malayka SN, Miro Spinelli, a dj Adriana Prates e a professora da Universidade Federal de Santa Maria, Rosa Maria Blanca Cedillo.
O simpósio, iniciado às 8h30, começou com uma performance de Eberth e Mônica, onde a subjetividade do sujeito e da arte ficaram evidenciadas. Na sequência, abriu-se espaço para a exposição dos convidados. Miro Spinelli, que já esteve presente na UFBA, através do congresso Desfazendo Gênero (2015), com a performance "Gordura Trans", conduziu sua fala pelos caminhos das estratégias de poder para ocupar espaços hegemônicos que invisibilizam o discurso dos dissidentes/subalternos. "A arte, por si só, já é um espaço de disputa de saber e poder. Todos nós, performers, pagamos um preço político e emocional ao estarmos inseridos nesse contexto. Acredito, contudo, que esse nosso trabalho é como um formigueiro e os nossos corpos, vivos e discursivos, capazes de respostas", comentou.
O público, muito atento, ouviu as falas dos convidados, que trataram de temas como a produção subjetiva dos artistas, os territórios de disputa geopolítica da cultura, a vulnerabilidade dos corpos ao se lançarem em seio social e a potência e agenciamento da autorepresentatividade através do corpo, gênero e sexualidade enquanto texto. A professora Rosa Blanca apresentou um breve panorama sobre exposições artísticas de mostras Queer ao redor do mundo e finalizou sua fala trazendo um breve resumo do caso da mostra Queer, patrocinada pelo Banco Santander, vetada recentemente no Brasil por censura pública. Malayka e Miro alertaram sobre o perigo de se criar uma "identidade Queer", enquadrada na indústria cultural e vendável, e de como essa possível identidade poderia descaracterizar o contexto, estrutura e significado da teoria.
O primeiro dia do simpósio de Artes, Gêneros e Sexualidades foi finalizado com uma performance de Maria Tuti, intitulada "Close", que integra seu projeto "Clandestina, yo soy?". Utilizando-se de boa parte do auditório, e com fita adesiva no corpo, Maria provocou frisson e curiosidade dos presentes, fazendo com que os mesmos não fossem apenas espectadores e sim integrantes do próprio processo artístico. A segunda parte do simpósio de Artes, Gêneros e Sexualidades ocorrerá na manhã dessa sexta feira (15) no auditório da Faculdade de Comunicação, a partir das 8h30. O espaço é aberto para o público.
Confira todas as fotos do evento no nosso flickr.
