Reflexões sobre juventude negra, cidade e redes de distribuição foram tônica de mesa nesta quinta

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O que novas formas de distribuição de produtos, políticas sobre cidades e mortalidade da juventude negra têm em comum? Todos têm em voga uma necessidade de transformação social para afirmação da cidadania. Pelo menos, é o que acreditam os palestrantes que participaram da mesa Alternativas Culturais + 10 – Identidades, poder e resistência, atividade do X Enecult, que aconteceu hoje, na Reitoria da UFBA.

A mesa mediada pela Professora Liv Sovik, da UFRJ, foi composta pelo representante da rede Fora do Eixo, Pablo Capilé; pela doutora e fundadora da ONG Criola, Jurema Werneck e; pela Professora da UFBA, Ana Fernandes. Pablo contou a história do Fora do Eixo na tentativa de mostrar a importância da formação de redes de colaboração para apoiar a circulação de produtos culturais de territórios esquecidos pela grande mídia. “É possível criar uma outra alternativa de circulação da cultura fora da indústria. Para isso, a formação de rede é fundamental. Hoje, além do mídia ninja – meio de transmissão online utilizado por diversos manifestantes durante as mobilizações de junho de 2013 - estamos em 27 estados, em 500 cidades, mobilizamos mais de 200 mil pessoas e 270 festivais pelo Brasil”, ressaltou Pablo.

Grande parte dos mobilizados pela rede Fora do Eixo são jovens, grupo populacional mais afetado pela violência no país, como lembrou Jurema Werneck. Esses jovens são em sua maioria negros que, até 2012, como mostram dados do Ministério da Saúde, apresentados por Werneck, eram vítimas de assassinato mais que o dobro dos jovens brancos. “As políticas sociais ajudaram na redução da mortalidade do branco no Brasil, mas do negro deve haver uma catástrofe, já que estes morrem o equivalente a 6 aviões de Eduardo Campos caídos por dia no país”. Para Jurema, não há futuro bom para o país sem um conflito. “Não há alternativa para acabar com o racismo no Brasil se não rompermos com o lugar de poder e privilégio da branquitude brasileira”, afirmou.

A Professora Ana Fernandes concorda e acha que as políticas para a cidade interferem diretamente na importante desconstrução do racismo. “Os valores da cultura negra tem sido enaltecidos e visibilizados cada vez mais. A sociedade, no entanto, parece valorizar mais a cultura que seus produtores”, acredita Fernandes. Ela também é contra a gentrificação. “Uma grave questão da política da cidade é a gentrificação. Não posso concordar com esse método que retira a população de seu lugar de origem para transformar aquele território em um espaço para a classe média e seus negócios”, concluiu.

Acesse aqui a apresentação de Jurema Werneck