Foto de Carolina Pereira
O terceiro dia do XI ENECULT, 13 de agosto, recebeu os expositores Helena Katz (graduada em filosofia na Faculdade de Filosofia e Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e Moacir dos Anjos (pesquisador e curador de arte contemporânea da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife) no simpósio "Arte e Cultura", no auditório I do PAF V da Ondina. O simpósio contou com a presença de debatedores das áreas da cultura como Maria Mariguella (gestora cultural e atriz), Dulce Aquino (diretora da escola de dança da UFBA), Fábio Cascadura (músico) e Gilberto Monte (gestor cultural), entre outros.
O simpósio abordou como tema principal a questão da arte e a cultura receberem tratamentos diferentes e como o cenário brasileiro sempre foi e ainda é um dificultador para artistas que tentam sobreviver apenas de sua produção artística. O sistema de editais foi debatido e houve opiniões divergentes sobre o assunto. Gilberto Monte comentou que os editais são "uma ferramenta altamente ultrapassada", enquanto Dulce Aquino chegou a afirmar que "o sistema de editais é perverso e excludente". "Fazemos política para cultura, mas não para artes", disse Dulce. Já Fábio Cascadura disse ser um entusiasta dos editais e ter desfrutado de bons resultados dos mesmos: "foram experiências muito boas e que tiveram um alcance bacana no meio artístico, no meio cultural em geral".
Outro tema colocado em pauta foi o consumo de arte pelo público brasileiro, que majoritariamente ignora a arte questionadora e protestante. "No meio artístico brasileiro as questões sérias como racismo, xenofobia, genocídios, estão à margem da produção", disse Moacir dos Anjos. Mais tarde, no debate, Gilberto complementou: "Nem todo mundo quer comprar uma tela que questiona pobreza".
Uma das problemáticas apresentadas no debate foi a carência de escolas de artes no Brasil, que acabam por afastar os estudos sobre as mesmas. Há produção artística, mas há poucos estudos sobre a mesma, dificultando a existência de pessoas qualificadas para discutir e resolver os problemas nesse meio. O papel da UFBA nos estudos artísticos foi destacado e parabenizado pela presença das escolas de dança, música e teatro, que já têm quase 60 anos de existência.
Amanhã, dia 14 de agosto, o simpósio terá continuidade no mesmo local, com a participação de Francisco Bosco e Guilherme Varella (pesquisador e gestor cultural) e serão discutidas com mais aprofundamento as políticas culturais e as políticas para as artes.
Texto de Yara Bohana

