Teixeira Coelho discute o futuro das políticas culturais em minicurso

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Professor da USP e curador-coordenador do MASP, Teixeira Coelho ministrou o minicurso ‘O futuro das políticas culturais’ no primeiro dia do X ENECULT, realizado no Auditório do PAF III. Com uma fala provocativa e cheia de problematizações, Teixeira expôs uma série de reflexões sobre os rumos da cultura e das políticas culturais, sempre destacando ter mais perguntas do que respostas a oferecer.

Ele iniciou dizendo que o campo das políticas culturais padece do mal de achar que não precisa pensar, de achar que as perguntas e respostas já estão prontas e à disposição. Na contramão desta ideia, Teixeira acredita que os agentes responsáveis pela formulação das políticas culturais precisam aprender a fazer as perguntas corretas, a fazer novas perguntas e se questionar o tempo inteiro sobre suas ações. Afinal, explica ele, “o ser humano é aquele que busca respostas”. De posse desse espírito questionador, Teixeira apresenta uma série de perguntas que os agentes culturais deveriam se fazer: “No campo da política cultural o que dá para fazer? Qual o limite entre o desejo e a possibilidade? O que tem sido feito hoje atende às reais necessidades postas pela cultura?”.

Outra questão abordada pelo professor foi o fato das políticas culturais desconsiderarem o avanço onipresente e irreversível da internet na vida das pessoas. “As políticas culturais continuam tratando como se a internet não existisse, como se ela fosse o mal, satã”, afirmou. Teixeira, seguindo o tom reflexivo que marcaria toda sua explanação, lançou mais questionamentos à plateia: Por que as políticas culturais continuam voltadas para o período pré-internet? Por que não consideram as tecnologias em suas ações e programas? Como transformar isso nos princípios culturais, uma vez que tomou uma dimensão extraordinária na vida contemporânea?

Prosseguindo em suas reflexões, Teixeira comentou ainda sobre a mudança radical no modo de produzir cultura provocada pela internet e sua apropriação pelos mais jovens. “Em política cultural não podemos falar tão claramente em público e produtor. Hoje todo mundo é um possível produtor”, disse ao comparar o acesso aos meios de produção nos dias atuais com a década de 50, por exemplo.

Teixeira finalizou lançando à plateia um exercício reflexivo, pedindo a todos que pensassem sobre o futuro das políticas culturais e que tentassem identificar políticas que, estando em vigência hoje, seriam dispensáveis nos próximos anos por conta, entre outros motivos, das constantes e rápidas mudanças tecnológicas.