Saber acadêmico e saber popular, compartilhando conhecimento

A separação entre saber popular e saber científico, cada qual como um tipo deveras distante do outro, parece estar com os dias contados. Isso porque cada vez mais se percebe que a troca entre esses saberes promove o surgimento de um novo quadro teórico, calcado na interlocução com as tradições populares, a memória e a história oral. Com o propósito de entender como se dá esse compartilhamento entre os saberes e de que modo a universidade pode viabilizar essa troca, o IX ENECULT traz na manhã do dia 12, a mesa Interlocuções entre saberes e práticas: academia e griôs. Os responsáveis por esse debate são três especialistas em memória, história oral e educação:

O uruguaio Nestor Ganduglia é psicólogo social e pesquisador de narrativas populares. Há mais de 20 anos dedica-se à pesquisa da memória popular, a partir de relatos orais e tradições de povos e comunidades, com foco na área rural. É autor dos livros “Historias de Montevideo mágico”, “Historias mágicas del Uruguay interior” e “País de Magías Escondidas”, onde traz relatos da diversidade do Uruguai - urbano, campesino, litorâneo e serrano – fundamentados na tradição oral.

Ganduglia apresentará a palestra: "Universidad y Diversidad: una contradicción todavía pendiente".

Lia Pinheiro Barbosa é brasileira, socióloga, docente da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e doutoranda do Programa de Posgrado en Estudios Latinoamericanos, da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Pesquisa temáticas relacionadas à Educação, Saberes e construção de conhecimento desde os movimentos sociais. Realizou estudo sobre a política desenvolvida, os debates ideológico-culturais e os projetos institucionais de educação gerados pela ação dos movimentos sociais campesinos e indígenas no Brasil e no México. É pesquisadora do Grupo de Investigação Práxis, Educação e Formação Humana (UECE) e do Programa Alternativas Pedagógicas y Prospectiva Educativa en América Latina (APPeAL-UNAM), e membro da Red Transnacional Otros Saberes (RETOS).

Em sua apresentação no IX ENECULT, Lia falará sobre a contribuição dos movimentos sociais para o desenvolvimento de uma nova política educacional e cultural no Brasil.

José Jorge de Carvalho é brasileiro, antropólogo, professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (Unb). Desenvolve pesquisa nas seguintes temáticas: Etnomusicologia, Estudos Afro-brasileiros, Estudo da Arte, Religiões Comparadas, Mística e Espiritualidade, Culturas Populares, e Ações Afirmativas para os Negros e Indígenas. Possui Ph.D em Antropologia Social pela The Queen's University Of Belfast (1984); pós-doutorado pela Rice University (1995) e pela University of Florida (1996). Foi Catedrático Tinker Professor na University of Wisconsin - Madison (1999). É Coordenador do INCT - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, do Ministério de Ciência e Tecnologia e do CNPq.

Em um de seus recentes trabalhos publicados, José Jorge faz uma reflexão sobre as relações raciais no Brasil após o implemento do sistema de cotas nas universidades.

Foto: Lia Barbosa - arquivo pessoal/Néstor Ganduglia: Susana Maisonnave/José Carvalho: UNB